Cidadania Italiana

A cidadania italiana para nós oriundi (descendentes), não significa somente manter um vínculo jurídico com o estado italiano, mas muito mais, significa recuperar uma série de valores afetivos e nossa própria identidade, traduzidos no desejo de poder manter vivas as relações com o país de nossa herança cultural.

Portanto, quando vamos ao consulado, não estamos solicitando a nacionalidade italiana, mas apenas pedindo o reconhecimento desta condição, que já existe desde que nascemos. (INGERS).

EUROPA

Mais de 50 milhões de Europeus deixaram o continente, entre 1830 e 1930. A maior parte (cerca de 33 milhões de pessoas), teve como destino a América do Norte, enquanto 11 milhões vieram para a América Latina.
 

A NOVA COLONIZAÇÃO

Na virada do século o Brasil encontra-se imerso, na maior onda de imigração de sua história. Entre 1890 e 1929, mais de 3,5 milhões de europeus e asiáticos desembarcam nos portos nacionais, fugindo da fome e da miséria.

Não havia terra para plantar e nem emprego nas fábricas. Milhares de camponeses perderam suas propriedades, centenas de artesãos foram superados pelas máquinas industriais.

Eram tempos de Pelagra (peladura). Um dos relatos da época: “Para fazer fogo, tinham de secar esterco de gado... para defender-se do frio, muitos dormiam junto a animais”.
 

A VIAGEM RUMO AO SUL

A viagem era feita na 3ª classe de um navio superlotado, e durava mais de mês. Dormia-se no chão. Comia-se mal.

Os colonos desembarcavam no Rio de Janeiro, onde permaneciam de quarentena na Ilha das Flores.

Até o Porto de Rio Grande, eram pelo menos 10 dias em um barco a vapor.

De Rio Grande a Porto Alegre, a navegação era feita em pequenas embarcações.

Na capital, os imigrantes ficavam alojados em barracões rústicos ou dormiam em ruas e praças. O tempo de espera pela liberação do lote podia chegar a seis meses.

Em pequenas embarcações, navegava-se até Montenegro, São Sebastião do Caí ou Rio Pardo.

A viagem prosseguia a pé ou sobre uma carreta. Durante dias, o colono atravessava picadas na mata.

Chegando à Colônia, era alojado na casa de Agasalho, na qual permanecia até se fixar em seu lote.

Os primeiros tempos eram duros: era preciso limpar o terreno e construir uma casa. Nesse período, roupas e mantimentos eram armazenados no oco das árvores.

A primeira moradia era precária. Um rancho de pau a pique, coberto de palha. A definitiva era ampla, de madeira ou de pedra.

No começo, a comida era escassa. Comia-se pinhão cozido, polenta e passarinhada.
 

NO RIO GRANDE DO SUL

Os imigrantes europeus encontram aqui uma situação bem diferente. Em lugar de trabalhar como assalariados em grandes lavouras, recebem lotes para cultivar, dando origem à estrutura fundiária de pequenas e médias propriedades que ainda domina a metade norte do estado.


IMIGRANTES OCUPARAM O VAZIO DA SERRA

A Província do Rio Grande do Sul tinha 462.542 moradores (censo de 1824), quando os italianos chegaram. A estratégia do Governo era se valer dos imigrantes para colonizar o vazio na parte superior da encosta da Serra, antigamente ocupada por índios caçadores e coletores de pinhão.

 

LOTES A PRAZO

Os pioneiros alemães, que colonizaram o Rio Grande do Sul a partir de 1824, ganharam lotes de até 77 hectares. Quando os italianos chegaram, 51 anos depois, receberam porções de no máximo 30 hectares e tiveram que pagar pelas terras.

Os imigrantes teriam cinco anos para quitar os lotes.

Em alguns casos, o prazo se estendeu para até 15 anos.

Quem trabalhasse na abertura de estradas poderia amortizar a dívida. O preço da terra variava entre um e cinco réis o metro quadrado.

 

A ITÁLIA

De cada 10 imigrantes que vieram para o país entre 1830 e 1930, quatro eram italianos. Vêneto contribuiu com 365 mil imigrantes.

Referência à origem dos povoados, Milão, ao norte da Itália, Nova Milano (atual distrito de Farroupilha), foi o berço das primeiras levas de imigrantes.

Época de pioneirismo, privações, suor e fome. Enquanto a polenta continuava na semente do milho que brotava, mammas enchiam a panela com pinhão enquanto as videiras não jorravam vinho, papas e nonnos calejavam as mãos construindo moradias, galpões, estradas.

São histórias de sacrifício, coragem e vitória.

La Mérica que os italianos buscavam era mesmo aqui. Os que vieram eram “tutti buona gente”.

Mas a terra da promissão, dos cartazes afixados no Porto de Gênova que anunciavam alimentos caindo do céu aos borbotões, revelou-se hostil.

As videiras trazidas pelos imigrantes chegados ao Rio Grande do Sul não vingaram ou morreram na viagem. O colono-imigrante ficou por alguns meses sem vinho. Quando desceu a serra para buscar suprimentos, avistou, no vale do Caí, videiras alemãs.

O vinho de uva Isabel era bem diferente daquele ao qual os imigrantes estavam habituados. Com o clima Propício, as mudas se desenvolveram rapidamente.

Até que as espigas de milho granassem, fornecendo a polenta, as famílias tiveram de recorrer ao pinhão para sobreviver. Naqueles primórdios, os banquetes de massas, polentas, galinhas, salames e queijos, regados por generosos garrafões de vinho tinto, eram miragem.

Os primeiros italianos a se estabelecerem, plantavam o essencial para a subsistência: milho para fazer a polenta e a palha dos colchões e trigo para a massa e o pão, além do vinho, cultura tradicional na terra natal.

Fabricavam também seus próprios móveis e utensílios, daí a explicação do surgimento da indústria moveleira e da cutelaria.

Apesar da exigência do Governo Brasileiro de que o imigrante fosse agricultor, a maioria tinha outra profissão. Eram principalmente artesãos.

As colheitas de milho, o sustento da mesa á qual se reuniam, não eram garantidas. Porcos-do-mato (queixada ou caititu), e macacos devoravam as plantas. Os papagaios mais esfomeados ainda, atacavam, em esquadrilhas. Refeitos da surpresa, os colonos notaram que os animais, uma ameaça inicial, poderiam encher as caçarolas vazias.

A saga de Izidoro Tonello

ISIDORO TONELLO foi um dos que cavaram arapucas nas trilhas para capturar porcos selvagens e prover a despensa.

Aos poucos, os desbravadores foram se estabelecendo. Casas com paredes de pedra e os esteios de cerne de pinheiro ou de cedro, demonstrando que vieram para ficar.

 

ISIDORO TONELLO

Aos 34 anos, casado, ele deixou Caerano Di San Marco, em busca do Paese de La Cucagna, o país da fartura, que prometia terra, polenta e vinho em abundância.

No final do Século 19, Isidoro era mais um jovem em apuros na Itália sem terra para plantar, com quase nenhuma chance de emprego. Morava em Caerano Di San Marco – Montebelluna – Treviso – Itália.

Na penosa viagem ao Rio de Janeiro, durante meses, viu a morte no tombadilho. Pessoas eram sepultadas em alto mar, lençóis servindo de mortalha, tragadas pelas ondas do Oceano Atlântico.

ISIDORO desembarcou no Rio Grande do Sul, acompanhado da mulher Brígida Menegon, 34 anos e seis filhos: Giovana 10 anos, Ângelo 9 anos, Carolina 12 anos, Maria 1 ano, Eugênio s/ reg: (faleceu em 03 /05 /1893, com 13 anos), Giovani (s/ reg.), após nasceram, já no Brasil, Pedro e João.

Passara por Porto Alegre, São Sebastião do Caí e Feliz. A última estação para os imigrantes que se embrenhariam pela serra.

No acampamento de Feliz, ISIDORO decidiu seguir adiante, com a mulher e os filhos. Alguns quilômetros separavam Feliz, de Travessa Thompson Flores (atualmente Flores da Cunha).

Na primeira metade do trecho, a família seguiu por uma picada, aberta pela Comissão Colonizadora. Depois descortinaram caminho a facão, carregando bagagem às costas.

Mesmo esgotados pela viagem, rezaram o terço e cantaram o Massolino De Fior (ramalhete de flores), embaladas pelo luar que se derramava sobre a mata.

Novas levas chegavam. O povoado tomava forma, singelo como um presépio.

ISIDORO se estabeleceu no lote 49 da Trav. Thompson Flores da IX Légua de Caxias do Sul, (área de 229.498 m²).

Cada lote poderia ser parcelado em quatro, o que resultava em pedaços de aproximadamente 25 hectares. O Governo prometia ajuda de 700 réis ao dia, por família, para a compra de mantimentos, a qual deveria ser feita em Feliz. ISIDORO quitou sua dívida em 12 anos.

ISIDORO TONELLO, 40 anos, vindo da Comune de Caerano Di San Marco, Distrito de Montebelluna, Província de Treviso – Itália.

Chegou em 1ºJaneiro de 1879, casado com Brígida Menegon, 34 anos. Vieram com os filhos: Giovana 10 anos, Ângelo 9 anos, Carolina 12 anos, Maria 1 ano, Eugênio (s/reg.), Giovani Batista (s/reg.), depois nasceram: Pedro e João.

Fonte: AHRGS.

ISIDORO TONELLO. Filho de Ângelo Tonello e Teresa Barichello, nasceu, em 19/06/1844. Casou-se com Brígida Menegon em 11/02/1867. Ela nascida em Caerano em 08/10/1847.

Ele veio a falecer em 13/06/1900, no Travessão Thompson Flores (pertencia a Caxias do Sul), com 56 anos de idade, de Insuficiência Cardíaca.

Em 05/01/1889, Isidoro já viùvo, casou-se com Rosina Paschoalotto, até então residia na Nona Légua, Caxias do Sul – RS.

Ela era filha de Francisco Paschoalotto e Antonia Tiepo, todos imigrantes italianos, no regime de comunhão de Bens.

Isidoro tinha 44 anos de idade, ela com 45 anos. Ela era viúva de Luigi (imig. Italiano-Lavrador).

Fonte: Paróquia Sta Teresa, (Cxs do Sul).

Brígida Menegon Tonello faleceu com 41 anos e foi enterrada no cemitério Público de Caxias do Sul-RS- em 26/04/1888.