A Saga da Família Giuseppe Tonello e Maria Busato

No século XIX, os imigrantes italianos saiam de sua terra natal, muitas vezes sozinhos, ás vezes acompanhados de amigos e na maioria dos casos juntos com familiares. Partiam para uma terra desconhecida, o Brasil. Muitas promessas eram feitas a esses heróis anônimos. Promessas de terras produtivas, fartura, boas condições de moradias. Nada eles tinham a perder, uma vez que a situação de seu país, a Itália, era difícil, então restava arriscar-se e aventurar-se nesse segundo lar, distante de suas raízes. Foi num daqueles navios, lotados de italianos esperançosos, com os corações já saudosos de que deixaram para trás, que Giuseppe Tonello embarcou; aproximadamente no ano de 1880. Pode-se até imaginar a cena no porto, onde despede-se de seu pai Antônio Tonello e Maria Cuccoloto, com os olhos cheios de lágrimas, pois não sabia ele que o Brasil era um país próspero, porém sem condições de abrigá-lo decentemente. Giuseppe com apenas 20 anos embarca e acena para sua querida família e sua Itália. Lentamente, o navio se afasta do porto em direção a um país desconhecido. Talvez, o consolo da despedida era amenizado pelos tios que o acompanhavam, os Cuccolotos, pois esses o convidaram para tentar uma vida nova. O que Giuseppe, nessa dolorosa partida, não sabia era que em algum navio, antes ou depois de sua partida, também embarcava Maria Bussato. Mulher que ficaria ao seu lado durante a sua vida, geraria filhos que o ajudaria muito.

Com diz a canção "Mérica": "trenta e sei jorni de máquina a vapore", mais ou menos os dias em que ficavam no navio. Ali, presenciou, com certeza, doenças, fome, morte, choro, angústia, mas acima de tudo havia esperanças de dias melhores e planos eram feitos, riscados no convés do navio. Finalmente, avistou-se a terra prometida, Brasil, o porto de Santos em São Paulo.

A chegada num lugar desconhecido causou medo, mistura de pessoas de várias procedências. O que fazer? Para onde vamos? Foram indagações feitas no momento. Giuseppe e seus tios foram encaminhados para a liberação e o destino seria Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. E, mais perguntas atormentavam a família: Onde ficava? Como era esse lugar? Mais uma etapa vencida, partiram, mas agora com os pés na nova terra, terra essa que lhes traria sustento e uma nova história. Exaustos de tanta viagem chegaram a Caxias do Sul, novamente foram encaminhados e, desta vez, para um lugar definitivo. Nova Pádua era o destino final, nome que lembrava Pádova, cidade italiana.

Agora, tinham em mãos o lote, a própria terra prometida a eles, portanto era seguir em frente e arrumar a nova vida. O acesso às terras era difícil, muito mato, estradas precárias, no entanto conseguiram chegar. Com algumas ferramentas, Giuseppe e seus tios construíram o primeiro abrigo. Agora, era realidade, as promessas feitas não conduziam com a situação, mas o que fazer? Não havia como voltar atrás, restava então trabalhar. Trabalhar muito foi o que esses imigrantes fizeram e executaram muito bem.

Giuseppe, no primeiro período de sua vida, trabalhou junto com seus tios até conseguirem se organizar, com o tempo sentiu necessidade de ter seu próprio canto, construir seu lar, ter sua família.

O que os fortaleciam eram os laços de amizade que criaram entre os vizinhos, onde se ajudavam mutuamente, mas acima de tudo era o apego à religiosidade: Deus sempre presente nas vidas de todos, um refúgio às dificuldades encontradas.

Uma das grandes alegrias de Giuseppe aconteceu no ano de 1888, seu pai veio encontrá-lo após oito anos de separação, os dois juntos novamente, porém sem a mãe, ela havia falecido na Itália sem conseguir ver seus filhos outra vez.

O destino estava preparando a ele uma grande surpresa, Maria Busato, a mulher a qual estaria sempre ao seu lado, em fim conheceram-se, apaixonaram-se e posteriormente casaram-se.

Agora sim, ele tinha sua terra, seu pai e uma esposa, juntos construíram uma casa espaçosa para abrigá-los e aos filhos que viriam. Ele não mediu esforços, trabalhou muito, economizou e conseguiu aumentar suas terras, comprando o lote que pertencia aos seus tios Cucculotos. Finalmente, o dia em que começaria sua nova família chegou, dia de muita festa e alegria. Giuseppe e Maria casaram-se no dia 16 de junho de 1889, esse registro consta no cartório da primeira zona de Caxias do Sul, bem como o registro consta nos livros da Diocese dessa mesma cidade. As dificuldades sempre estiveram presentes na vida do casal, porém sempre estiveram unidos e dessa união nasceram quinze filhos: Maria, Eugênia, Josefina, Luíza, Virgínia, Antônia, José (Bepo), Eugênio, Antônio, Humberto, Mônica, Francisco, Maria Rosa, Rosa e Leonilda.

Dos cinco filhos homens, dois se estabeleceram em São José do Ouro, onde a família adquirira terras para começarem uma nova vida com suas esposas. JOSÉ TONELLO casou-se com Francisca Ferrigo e FRANCISCO TONELLO que se casou com Geltrudes Miosso. Quanto a EUGENIO TONELLO casou-se com Maria Sonda e estabelecem-se em Flores da Cunha, onde também a família adquiriu terras. Já ANTÔNIO TONELLO casado com Libera Menegat continuou em Nova Pádua, em terras adquiridas no Travessão adquiridas no Travessão Divisa, próximas ás casas paternas. HUMBERTO TONELLO casou-se com Catharina Menegat, o casal permaneceu juntamente com seus pais nas mesmas terras. Os cinco homens foram casando e como não havia condições de adquirirem terras para cada um, moravam justos na mesma casa. Aos poucos, juntamente com suas esposas, trabalharam unidos para comprarem terras em outros locais, assim cada família construiu seu lar, pois filhos já haviam sido gerados e outros ainda viriam.

As mulheres, juntamente com seus maridos, seguiram suas vidas dedicadas à família e passando aos filhos os ensinamentos que aprenderam justos aos seus pais.

EUGÊNIA TONELLO casou-se com João Bedimn e não teve filhos, porém dedicou-se como mãe de seus enteados, não poupou esforços a dar a eles o que uma verdadeira mãe daria.

JOSEPHINA TONELLO casou-se com Virgilio Menegat e foi morar em PARAÍ-RS, onde juntamente com seu esposo construiu sua história.

LUIZA viveu nas casas paternas. Dedicou sua vida aos pais, irmãos e sobrinhos quanto precisavam, pois não se casou. Foi um símbolo de união pela sua simplicidade.

ANTÔNIA casada com Antônio Pasinato e VIRGINIA TONELLO casada com Rico Menegat construíram suas famílias em São José do Ouro, onde puderam conviver com seus dois irmãos que também residiam lá.

MÔNICA TONELLO casou-se com Mario Menegat e passou a residir em Paraí.

MARIA ROSA TONELLO casou-se com Davide Zorzi, residia em Nova Pádua e uma fatalidade fez com que falecesse aos 33 anos. Após sua morte, a família mudou-se para Erechim - RS.

ROSA E LEONILDA TONELLO se casaram com os dois irmãos Ângelo e Ricieri Luza, sendo que a primeira foi para Quilimbo – SC, e a segunda continuou em Nova Pádua.

Esses filhos e filhas de GIUSEPPE E MARIA originaram uma família numerosa que se expandiu em vários locais diferentes, no entanto em todos os lares sempre houve as mesmas marcas dos pais: trabalho, fé, honra, dignidade, humildade e amor pela família.